sábado, 31 de julho de 2010

Servi ao Senhor com alegria... até mesmo cortando cebolas!

Encontrei alegria nas tarefas domésticas.
Desde pequena, brincar de casinha e de boneca era minha maior diversão. Eu tinha uma vassourinha do meu tamanho, com a qual faxinava minha "casinha" e a mantinha sempre em ordem. Lembro que algumas vezes colocava minhas panelinhas e talheres de brinquedo nos armários da cozinha, junto com os da casa. Então, quando minha mãe ia cozinhar, lá estava eu no meio com minhas miniaturas, copiando tudo o que ela fazia. Quando ela separava os grãos de feijão, eu também roubava alguns para prepará-los em minha panelinha; isso quando não inventava umas receitas diferentes com folhas e sementes do quintal. Chegava a atrapalhá-la muitas vezes, mas aqueles momentos tiveram um tempero todo especial na minha vida. E parecia tão bom ser dona-de-casa!
Minha mãe sempre teve o cuidado de me ensinar todos os afazeres do lar e me falava muitas vezes sobre a importância de sermos boas donas-de-casa. Ainda pequena, eu tinha um banquinho ao lado da pia da cozinha que usava quando ia lavar as louças, porque eu nem alcançava a torneira. E assim fui crescendo, aprendendo as responsabilidades que me caberiam como mulher e amadurecendo a idéia sobre como iria ser quando eu tivesse minha própria casa.
O tempo passou e com ele aquelas minhas fantasias de menina. Conheci e me adaptei ao novo ritmo que a sociedade moderna impôs a nós mulheres de hoje (há um texto comum muito legal sobre isso - Desabafo da Mulher Moderna - que ainda vou postar aqui). Estudei, comecei a trabalhar, me formei e, durante esse tempo, ajudava minha mãe com algumas das tarefas de casa. Mas as exigências do lado de fora começaram a pesar tanto que passei a ter cada vez menos tempo e a cooperar cada vez menos em casa, contando muito mais com a compreensão e os cuidados dela. Só que chega uma hora que a responsabilidade de ter crescido te laça e aí, você não pode mais adiá-la. Foi assim comigo quando saí de casa pra ir morar sozinha em outra cidade.
Mesmo sabendo fazer de tudo, não foi fácil assumir uma casa com todos os detalhes necessários para mantê-la sempre em ordem. Enquanto solteira, eu fugi da cozinha, preferi almoçar fora todos os dias. Me casei e o trabalho dobrou (quem casa sabe que no gene da maioria dos homens vem o elemento 'bagunça' impresso). Porém, meu esposo trabalhava como gerente em um restaurante, que maravilha! Pelo menos continuei livre da cozinha e às vezes ainda me beneficiava do cardápio de lá. Dois anos depois, ele saiu desta função e aí acabou meu sossego. Pra completar, pegamos uma cachorrinha muito arteira que soltava pêlo na casa toda. Ai, que aflição! Confesso que foi bem difícil assumir o controle da casa e dar conta dos intermináveis afazeres do dia-a-dia. Por vários momentos a preguiça me pegou e me pus a reclamar por diversas vezes: "Esse serviço não acaba nunca! A gente faz, faz e no outro dia, lá está ele a nossa espera novamente. Ah, que canseira!" Mas a reclamação é como uma cadeira de balanço: te mantém ocupado, porém não te leva a lugar nenhum.
Então, finalmente resgatei o prazer de ser dona-de-casa, agora como "gente grande". Aprendi a lidar com as tarefas domésticas de uma forma diferente. Penso que, servindo ao meu lar, estou agradando ao Senhor e cumprindo com a responsabilidade que Ele confiou em minhas mãos, assim como o faço no trabalho Dele. Cuidar do nosso lar, também se caracteriza como sabedoria e "a mulher sábia, edifica sua casa". Entendi que esse também é um ministério que recebi do Senhor e sei que, quando o faço de coração, estou servindo a Deus e tendo um tempo muito especial na Sua presença. Enquanto cozinho ou limpo a casa, aproveito para ouvir e cantar músicas em louvor a Ele e também para ouvir a Sua Palavra na voz de Cid Moreira (Bíblia em Áudio). Tenho experimentado algo novo com essa experiência e tenho sido bastante abençoada durante esses preciosos momentos. Às vezes a preguiça e a murmuração aparecem e me envolvem novamente, mas tenho sempre que lembrar que devo servir ao Senhor com alegria, até mesmo enquanto corto cebolas para preparar um prato saboroso! (KT)

Nenhum comentário:

Postar um comentário