"TRANSFORMANDO A NAÇÃO BRASILEIRA POR MEIO DA JUSTIÇA DE DEUS"
Esse é o tipo de desafio a que o Evangelho de Cristo se propõe porque ‘a justiça de Deus se revela no Evangelho’. A ação do Evangelho é libertar o homem da escravidão ao pecado e fazer dele servo da justiça. A justiça de Deus contrasta-se com a ‘impiedade e perversão’ dos homens, bem descritas em Romanos capítulo 1. Mas não é algo que acontece no nível da cognição, é bem mais profundo.
Como é que a justiça de Deus se manifesta em uma sociedade e age para sua transformação? Há dois fatores aqui: um deles é a própria essência do homem que foi criado à semelhança de Deus. O homem não foi criado para a devassidão e a morte, e sim para a vida plena e eterna. “Deus pôs a eternidade no seu coração”. Embora na busca de seus desejos corrompidos ele possa até achar certo prazer momentâneo no pecado, ele não se satisfaz plenamente no prazer mórbido do mal. Algo no seu interior clama e anseia por uma vida diferente. A justiça de Deus o atrai; um vazio em seu interior busca o Ser Supremo para glória do qual foi criado.
Esta é a razão que o ser humano sempre tende a ser religioso independente de sua cultura ou formação... Vi recentemente a entrevista de uma jovem que no primeiro momento dizia-se satisfeita com sua vida de ‘garota de programa de alto nível’ o que lhe dava uma renda altíssima; até declarou que estava ‘fazendo porque gostava’. Mas mais tarde na entrevista se contradisse afirmando querer ‘casar-se ter filhos, ser ‘normal’ como outras pessoas normais...’ O falso sentimento de ser livre para fazer o que quer é, na realidade, produto da confusão entre liberdade verdadeira e libertinagem. No pecado o homem não é senhor de si mesmo ele é escravo!
Outro fator é que ‘quando os juízos de Deus reinam na terra os moradores do mundo aprendem justiça’. Ora, como é que os juízos (os valores) de Deus ficam no mundo? Escritos em outdoors? Veiculados pela mídia? Propalados em jornais ou revistas? Bem, essa não é a forma escolhida por Deus e que de fato transforma o mundo... Lemos acerca dos ‘transtornadores do mundo’ que faziam diferença onde viviam ou chegavam.
Deus claramente optou por colocar os seus juízos no mundo não nos meios de comunicação convencionais, embora possa usá-los eventualmente. A justiça de Deus, que de fato é agente transformador do mundo, vem encarnada em vidas. Não são belas páginas de papel coloridas e bem apresentadas. Não. Os agentes transformadores das sociedades são as ‘cartas vivas, conhecidas e lidas por todos os homens’. É o ‘bom perfume de Cristo em pessoas que exalam cheiro de vida para uns ou cheiro de morte’ para outros’. É o sal fora do saleiro que não permite a degradação completa deste mundo mau; é a luz que resplandece nas trevas e influencia vidas atraindo-as para Deus.
De fato a ‘impiedade e perversão dos homens’ ou seja: ‘a rejeição a Deus e aos valores divinos’ e a ‘rejeição aos homens e seus valores humanos’, respectivamente, faz com que se sinta desajustado consigo mesmo e com um sentimento de auto-reprovação. Isso mostra que, bem no íntimo do seu ser, o homem tem alguma consciência da lei - o padrão de justiça de Deus - que tanto pode o acusar como defender.
E como é a ação da justiça de Deus na sociedade? Qual a maneira que a justiça divina atua para transformar uma nação como o Brasil? No Brasil aprende-se o famoso ‘jeitinho’ de escapar, e mesmo que existe um corpo de leis muito boas, comenta-se que é o país da impunidade; que a justiça brasileira é morosa demais; que existem muitas ‘brechas’ na lei para não se fazer justiça; que a ‘justiça’ acontece em proporção direta ao poder econômico do acusado, etc.
Alguém diria que é preciso fazer conhecida a justiça de Deus pela pregação, pela divulgação nos meios de comunicação, ou de todas as formas possíveis. Sim, este é um passo necessário, sem dúvida. Porém, extraindo lições da história, sabe-se de uma sociedade que era constantemente instruída sobre os justos preceitos de Deus. Onde havia três classes de especialistas em alardear a lei de Deus à sua maneira. Escribas, mestres e sacerdotes se dedicavam ao exímio conhecimento da lei e dela falavam sempre. Isso, porém, não resultou na transformação daquela sociedade - os judeus do primeiro século. O que deu errado? Muita ênfase no conhecimento e pouca ou nenhuma na vivência da justiça de Deus. Era uma ‘igreja’ com crise de autoridade.
Eu diria que o Brasil já tem bom conhecimento sobre a justiça de Deus e sobre a base do Evangelho. Se fosse possível entrevistar todos os bandidos, presos ou não, é muito provável que a grande maioria deles responderia à pergunta ‘Por que Jesus morreu?’ dizendo: “Jesus morreu pelos nossos pecados”. Ora, isso não é a essência do Evangelho? Por que essa verdade não mexe com sua estrutura de vida? Por que não são transformados pelo Evangelho?
Aquele que confrontou as classes religiosas dos seus dias disse algo muito profundo acerca da verdadeira justiça do reino de Deus. “Se alguém violar um mandamento e assim ensinar aos homens será considerado o menor no reino de Deus, mas se o obedece e ensina, será chamado grande. Se a sua justiça não exceder em muito a dos religiosos, de modo nenhum entrarão no reino dos céus”. Note o ‘assim’. Não é o que ele diz, mas é o que ele faz.
Enquanto a Igreja ou os chamados cristãos valorizarem muito o conhecimento em detrimento da prática de vida, não serão agentes transformadores do Brasil. Uma pessoa que foi usada para transformar sociedades mesmo vivendo em meio a lutas e duras perseguições, pôde dizer assim para a outros: “O que também aprendestes, e recebestes e ouvistes e vistes em mim isso praticai; e o Deus de paz será convosco”. Deus, em Cristo, nos abençoou, nos escolheu, redimiu, remiu nossos pecados, selou-nos com seu Espírito, tudo a fim de sermos para o seu inteiro louvor. Note bem: não é para uma atividade como ‘prestar um louvor’ mas para um estilo de vida de adorador transformado. Sermos PARA louvor. É o ‘ser’ que conta aqui.
Aquele que mudou a história da humanidade disse: ‘Sigam-me. Aprendam de mim que sou manso e humilde de coração. As palavras que lhes digo são espírito e vida. Sereis minhas testemunhas.’
Da boca dessas pessoas não saiam conceitos abstratos, eles não transformavam Deus numa idéia ou conceito teológico, mas viviam e proferiam verdades calcadas na experiência real com o Deus transformador.
Talvez o mundo esteja quase saturado de sermões orais, escritos, televisados e precise ver ‘sermões vivos’. Stanley Jones que abençoou muito o povo da Índia com seu trabalho minorando-lhes o sofrimento e que tanto pregou sobre isso, no final da vida ele próprio teve derrame paralisante e naquela condição, movendo-se a custo de muito sofrimento, pediu para voltar ali dizendo: “Agora Deus está me pedindo para ser um sermão vivo para os indianos, uma ilustração real da suficiência de Deus na dor como lhes preguei.
Só quem conhece o Deus vivo, e não apenas conhece conceitos teológicos sobre Deus é que pode se tornar sermão vivo. Sendo assim devemos orar como o profeta desejando um relacionamento muito íntimo com Deus: ‘Com minha alma suspiro de noite por Ti e, com meu espírito dentro de mim, eu te procuro diligentemente; porque quando os teus juízos reinam na terra (do Brasil encarnados em mim) os moradores do mundo (os brasileiros) aprendem justiça’ (Is 26:9). Outro diz a mesma coisa com outras palavras: ‘Se eles tivessem estado no meu conselho, então teriam feito ouvir as minhas palavras ao meu povo e o teriam feito voltar do seu mau caminho e da maldade das suas ações’ (Jr.23:22).
Não existe outra fórmula de transmitir os juízos de Deus para transformar a sociedade, senão encarná-los em nosso viver.
E quais são as maiores barreiras para isso acontecer? A maldade reinante? A indiferença para com Deus? Bem essas coisas não parecem ser a pior barreira. Pasmem-se! A maior barreira para que a justiça de Deus transforme a sociedade, em última análise, não são as coisas más, mas é a tentativa de auto-justiça dos homens. Essa presunção age como um sedativo da consciência criando a ilusão de que tudo está bem com Deus.
Já no século 17, John Bunyan percebeu isso e comentou que quando o ‘temor’ que vem de Deus começa a agir em algumas pessoas estas o repelem pelo receio que o temor as leve para longe de ‘sua velha e miserável santidade própria’. Sim, o apego às boas obras ou à justiça própria é o que afasta as pessoas da justiça de Deus e da fé salvadora. A justiça de Deus não é conquista do homem, mas é recebida pela fé. Tentando estabelecer sua própria justiça o homem fica fora da justiça de Deus.
De fato a fé e obras são mutuamente excludentes como base da salvação - a posse da justiça de Deus. O Rev. Tim Keller disse também que o maior problema dos religiosos-moralistas, ilustrados pelo filho mais velho na parábola do filho pródigo, no final das contas, é suas ‘miseráveis boas obras’.
Karl Marx declarou que a religião é ópio do povo com o propósito de implantar o comunismo, seus motivos não eram os melhores. Porém, analisando bem, na prática a religiosidade, moralidade, boa cidadania e todas as filosofias humanistas tão em alta nesta era pós-moderna são o ópio espiritual do povo que o impede de se ver carente da graça e misericórdia de Deus.
Sim, o Evangelho continua sendo o poder transformador de Deus encarnado na vida daqueles que são novas criaturas em Cristo. Eu sou um desses? E você?
Rev. Silas de Lima - Anápolis 21.11.2010


Que palavra reveladora...
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